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sábado, 4 de março de 2023

Tinha-o seduzido

 

 

Tinha-o seduzido, levado consigo, acariciado, mas ignorava se possuía um nome. 

E nada daquilo lhe parecia ser o amor, porque o amor necessita de um rosto, exige um nome.

A nudez, pelo contrário, não precisa de nada. Serve para dar e receber, esquece-se rapidamente na velocidade do dia que se levanta. E quase não dói.

Al Berto 

 

 

 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Sabes, por vezees queria beijar-te

 

Sabes por vezes queria beijar-te. Sei que consentirias.
Mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos.
Foi melhor sabermos quanto nos queríamos, sem ousarmos sequer tocar nossos corpos.
Hoje tenho pena. Parto com essa ferida.
Tenho pena de não ter percorrido teu corpo como percorro os mapas,
com os dedos teria viajado em ti do pescoço às mãos,
da boca ao sexo.
Tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro.
Acordado perto de ti.
As noites teriam sido de ouro e as mãos teriam guardado o sabor de teu corpo.

Al Berto 



 

segunda-feira, 18 de março de 2019




Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez,
e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo.

Recolho o mel, guardo a alegria, e digo baixinho:
Apaga as estrelas,
vem dormir comigo no esplendor da noite
do mundo que nos foge.

Al Berto

quarta-feira, 7 de novembro de 2018




Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez,
e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo.

Recolho o mel, guardo a alegria, e digo baixinho:
Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.

Al Berto

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