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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Poema da amante




Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

Adalgisa Nery


sábado, 31 de julho de 2010

A espera

.
.
Amado
Por que tardas tanto?
As primeiras sombras se avizinham
E as estrelas iniciam a noite.
Vem...

Pois a esperança que se acolheu em meu coração
Vai deixá-lo como um ninho abandonado nos penhascos.
Vem...

Amado
Desce a tua boca sobre a minha boca.
Para a tua alma levar a minha alma
Pesada de sofrimento!
Vem...

Para que, beijando a minha boca
Eu receba a sensação de uma janela aberta.

Amado meu
Por que tardas tanto?
Vem...

E serás como um ramo de rosas brancas
Pousando no túmulo da minha vida
Vem amado meu...

Por que tardas tanto?

Adalgisa Nery
(1905-1980)

.

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