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terça-feira, 29 de junho de 2010

O que eu sentia

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O que eu sentia novamente amor
era a tua ternura nos joelhos
o espaço convertido entre paredes
aonde os nossos olhos indefesos

repousavam à noite de conceitos
para convencer o mundo necessários
em nós agora já familiares
implícitos comuns sobre os cabelos

bastava-nos o hálito a auréola
tão antiga e solene dos mistérios
o tempo nos passava nós ausentes

de tempo só sabíamos o êxtase
quando a paixão passar consentiremos
o gesto irremissível dos adeuses

Teresa Balté

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ao teu encontro

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Quando amanhece penso:
Encontro-te no vento
virás abraçar-me como os ramos da árvore
e chegaremos ao coração da cidade

Ao meio-dia sei:
A distância do meu corpo ao teu grito
corresponde à do teu sopro ao meu ouvido
eis a anatomia do silêncio

De tarde fico exausta:
Circulo pelas ruas e roço-me nas praças

À noite adormecemos:
Será que te lembras? será que me lembro?

Amanhã alegro-me de novo:
Imagino a floresta, parto o espelho
e recomeço a ir ao teu encontro.

Teresa Balté

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Beija-me

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Beija-me
Sobre a areia fria, húmida do mar,
No sal da espuma alada
Que afaga de onda em onda os nossos pés,
No cintilar das estrelas álgidas, solitárias na noite,
Sobre os ossos lisos de corpos esfacelados e sangrentos.
Ajuda-me a lutar,
Envolve-me em teus braços
E deixa-me chorar a minha solidão
E a tua.
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Teresa Balté

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Apaixonada

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Venho rendida,
Já não apaixonada, amor,
A paixão com a persistência
Deixou de queimar,
Como a dor com a persistência
Se deixa de sentir.
Agora venho rendida e calma,
Igual e mansa,
Sem marés vivas
Nem dias de levante,
Sou uma esperança constante,
Uma constante desesperada,
Só, sempre sozinha
Pelos mornos areais alaranjados
Onde ondas poentes
Se quebram em alvura.
Só, sempre pensando em ti,
Tentando não pensar,
Descer ao profundo do mar,
Revolver em mim o universo
Novo infinitamente;
Mas tu vens mais forte que o mar,
Mais forte do que eu,
E em vão tento convencer-me
Que não és,
Que não passas de abstrato desejo,
Sentimento incompleto,
Sem poder condensar-se.
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Teresa Balté

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