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quarta-feira, 7 de novembro de 2018




Inventa uma parede
onde possas encostar-me o corpo
pressionado pelo teu.
Uma parede de textura suave.
Uma parede única,
onde nos encontremos.
Inventa uma parede para o amor.

Silvia Chueire


segunda-feira, 30 de outubro de 2017



E às vezes,
apenas às vezes,
o sonho, a saudade,
o desejo puro e simples
emergem,
gigantes urgentes.

Silvia Chueire


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Rubra



Há uma rosa rubra na noite
uma rosa de silêncios e segredos

estende-se na madrugada

ninguém sabe das pétalas irisadas
pelo orvalho.

Há uma rubra rosa na noite
é tua

Sílvia Chueire


domingo, 16 de outubro de 2011

Entrega



Entregar-me
ao teu corpo inclinado
a boca a falar todas
as línguas

Silvia Chueire



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Do desejo



No olhar alado do
desejo
perdem-se todas as palavras
desenha-se o gozo.

Silvia Chueire


terça-feira, 2 de agosto de 2011



Por um momento,
em gestos lentos
acaricio o sonho,
de lábios
num beijo
mais longo
que um dia...

Silvia Chueire


terça-feira, 1 de março de 2011

Amor




Amor?

Deito-me sobre tantas coisas inúteis
e me pergunto o que valerá
todo o esforço?

Este poema banal
- qualquer deles -
trata-se de traduzir o intraduzível?

A avalanche de microacontecimentos

despencando pelo nosso dorso,
a pele respondendo elétrica;
entre os dedos a escapar-nos;
sob os olhos,
através dos nossos sexos,
e do cataclismo do gozo,
dos corpos,
ou dos pensamentos, que correm
à busca de significado.

O que valerá a minha presença sem sentido
neste mar de sentidos a entrechocarem-se,
neste caos, sem linguagem que o signifique
a não ser o amor que vivi,
vivo,
viverei?

Silvia Chueire


domingo, 13 de fevereiro de 2011

A tua espera



Há um corpo à tua espera
um corpo e um conjunto de signos
nas mãos espalmadas
a te oferecerem o riso,
as avencas na pele,
o perfume.

Há um corpo, um copo de vinho
ao pé da lareira,
no silêncio do lume.

Silvia Chueire


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

É tarde...





A noite é o incendiar
da labareda oculta,
do desejo.
Tudo começa ao pôr-do-sol
na evidência das cores refletidas no céu.

Depois estende-se ao meu corpo
que espera o teu.

É tarde, meu amor.

Silvia Chueire


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Penso em ti



Penso em ti
a memória agarrada à minha pele
teu coração de palavras dançando
nos meus braços
teu amor a subir pelas minhas pernas
nossas idéias a derramarem-se das mãos
cada minuto fascinado por nós

pensar em ti é uma inevitabilidade

Silvia Chueire


sábado, 30 de outubro de 2010

Murmúrio



Murmuras uma canção aos meus ouvidos
e os meus pensamentos estremecem (...)

murmuras a canção
e sei:
é inescapável a viagem.

as águas turbulentas cristalinamente
tentadoras,
a me chamarem:
vem.

Silvia Chueire


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Desejo atendido



Freqüentemente me esqueço
e quero o teu corpo
para amá-lo, abrigar-me nele,
por ele me deixar amar
atravessada de prazer...

o desejo atendido,
a atender-te...

Silvia Chueire


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Se ele não está

.
.
...

São dias longos de silêncio,
desejar é o avesso da falta.
o que desejas, corpo meu,
se ele não está?

Silvia Chueire

.

sábado, 14 de agosto de 2010

Tenho uma canção no corpo

.
[better_sex_for_couples.jpg]
.
Tenho um corpo vivo,
de palavras e contornos,
um murmúrio perdido
no tempo.

Um corpo que anseia
o oceano,
a foz.

Tenho um corpo que não se cala
ainda que eu silencie.

Tenho uma canção no corpo,
devia ser para ti.

Silvia Chueire

.

domingo, 18 de julho de 2010

Sabem a ti

.
.
Mordo tuas palavras
lentamente
sabem a ti
sabem a nós
desfazem-se em mim
oceânicas
colam seus corpos
ao meu

Silvia Chueire

.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Inverno no meu corpo

.
.
O inverno desliza
no corpo que espera.

Quanto frio ainda haverá,
antes que ele chegue
e de novo as rosas desabrochem
e com elas a cor pinte meu rosto?

Desde que se foi o meu amado
não há almíscar,
o perfume desertou a vida,
o vinho não sabe a prazer.
já não me acolhe, a noite,
é escuridão sem voz .

O vento não se oculta no deserto,
nem fala aos meus quadris
nenhuma dança.

Desde que se foi o meu amado
o inverno não se cansa de ser eu.

Silvia Chueire

.

domingo, 16 de maio de 2010

Parede

.
.
Inventa uma parede
onde possas encostar-me o corpo
pressionado pelo teu.
Uma parede de textura suave.
Uma parede única,
onde nos encontremos.
Inventa uma parede para o amor.

Silvia Chueire

.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Vem

.
.
Vem,
escreve comigo todas as palavras, os gritos,
os segredos que só nós sabemos.
As mãos e a boca saciando a fome que não finda.
Tudo é domarmos o destino,
o bridão nas nossas mãos, galope pleno.
Qualquer profundidade, a construiremos os dois,
com a vida subindo-nos à garganta.

Só colado ao teu , meu corpo se sabe corpo.
Por isso para que nada se perca,
para que não nos percamos, vem.

Silvia Chueire

.

sábado, 13 de março de 2010

Entrever

.
.
Apenas te entrevi
e sei
das tuas mãos
- quanto mar a me tocar o corpo.
dos teus olhos entreabertos
- quanto céu a me dizer palavras.

Silvia Chueire

.

sábado, 6 de março de 2010

Desatinos

.
.
É pelas pontas dos meus dedos
caminhando na direcção da tua voz
que desliza um rio de desatinos
a descer meu ventre.

o coração tocado por um afecto longínquo
e tão próximo
que arde a minha pele.

Silvia Chueire

.

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