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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Na noite fria

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Na noite fria
Tua voz quente
expunha anseios tais,
tinha um tal despudor,
vinha tão nua,
que minha boca sentiu desejos
de vesti-la de beijos...
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Na noite fria
tua voz quente
errava, louca de destemor,
pelos gelados e ermos espaços...
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E tive pena de tua fala...
E abri minha alma para abrigá-la
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Na noite fria
tua voz quente
pediu tanto,
chorava tanto...
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Que minha vida te dei,
com a mágoa
com que se lança
velho tesouro às mãos travessas
de uma criança
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Gilka Machado

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Amo as noites de luar

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Amo as noites de luar porque são de veludo,
delicio-me quando, acaso, sinto, pelos
meus frágeis membros, sobre o meu corpo desnudo
em carícias sutis, rolarem-me os cabelos.
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Gilka Machado

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Esboço

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Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros...
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforecentes carícias...
e o corpo do silêncio estremecia, chocalhava,
com os guizos do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca...
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos...
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Gilka Machado
in Sublimação, 1928


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