quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vem!

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...
Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!", diz a minha, a soluçar...
Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais!
que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!
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Olavo Bilac
in Sarças de Fogo
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pertenço-te...

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...
Pertenço-te
na distância que me impões
Quando transbordam carícias do teu corpo
E, indefeso, clamas para que meu tato adormeça...
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Fernanda Guimarães
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tus besos

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Tus besos y mis besos
en una lengua de fuego...
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Magaly Hirayanagi
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domingo, 27 de setembro de 2009

Estrada

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Esse trecho sinuoso entre tuas pernas
reduz minha velocidade
descendo lentamente pelas curvas do teu corpo
deslizando pela pista a vontade
retorno mais adiante
entradas e saídas
várias vias
atenção
curva perigosa
não se perca no atalho
mas se atire nas descidas
o caminho se estende
até onde a seta, a língua e o dedo aponte
louca rodovia de desejos
queimando a pele no asfalto quente.
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Gean Queiroz

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sedução

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Que poder
é esse?
Que sedução
devassa,
é essa
que sinto
sempre
que você
me abraça?
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Asta Vonzodas

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não posso dormir...

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Não posso dormir quando estou contigo
por causa de teu amor.
Não posso dormir quando estou sem ti
por causa de meu pranto e gemidos.
Passo as duas noites acordado
mas, que diferença entre uma e outra!
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Jalaluddin Rumi

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Amo as noites de luar

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Amo as noites de luar porque são de veludo,
delicio-me quando, acaso, sinto, pelos
meus frágeis membros, sobre o meu corpo desnudo
em carícias sutis, rolarem-me os cabelos.
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Gilka Machado

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Amor e dor

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Bem vejo que te amo como uma louca.
No entanto, não me queixo
de toda a violência dos arrebatamentos
do meu coração;
e vou-me acostumando às suas perseguições
e não poderia viver sem esse prazer que descubro
e de que gozo amando-te no meio de mil dores.
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Soror Mariana Alcoforado
in Cartas Portuguesas
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domingo, 20 de setembro de 2009

Não houve o beijo

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Teus lábios sem querer roçaram os meus
na hora da despedida.
Não houve o beijo;
apenas o rubor das nossas faces,
o coração pulando como um louco
por tão pouco.
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Marilena Gomes Ribeiro

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Amar

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...
Foi quando te aventuraste em mim,
fazendo-te (a)mar
em vagas de desgovernado prazer.
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Eu era o deserto que desconhecias
oferecendo-te, em desatino,
os caminhos de um chão
que jamais pensaras pisar.
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Na imensidão de um desejo aprendido,
te perdeste....
e me encontraste;
estava eu suspensa, esperando-nos,
havia (quase) demasiado tempo...
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Phwo

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Esta Saudade

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Esta saudade és tu... E é toda feita
de ti, dos teus cabelos, dos teus olhos
que permanecem como estrelas vagas:
dos anseios de amor, coagulados.
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Esta saudade és tu... É esse teu jeito
de pomba mansa nos meus braços quieta;
é a tua voz tecida de silêncio
nas palavras de amor que ainda sussurram...
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Esta saudade são teus seios brancos;
tuas carícias que ainda estão comigo
deixando insones todos os sentidos.
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Esta saudade és tu... é a tua falta
viva, em meu corpo, na minha alma, viva...
enquanto eu morro no meu pensamento.
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J. G. de Araujo Jorge

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domingo, 13 de setembro de 2009

La loba

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Se o calor me queima não afrouxo as vestes,
arranco-as.
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Se o frio me congela, não me lanço ao fogo,
mas à pele.
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Helen Drumond
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sábado, 12 de setembro de 2009

Meu Corpo

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Meu corpo é assim,
como um vestido antigo,
com duzentos botões...
que você deve desabotoar,
devagar...
com calma...
com carinho..
.para não amassar a seda,
nem machucar as dobras...
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Maria Teresa Albani

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O verbo amar

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Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.
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Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.
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Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...
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Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!
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J. G. de Araujo Jorge
in Bazar de Ritmos- 1935

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Abrigo

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Deixa teu corpo ser meu abrigo
nas noites em que só ando perdido.
Deixa os teus lábios serem nascentes
dum rio pelas margens seduzido.
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Deixa que as pontas dos teus dedos
caminhem por memórias e segredos.
Deixa os teus olhos serem vitrinas
de amores únicos e sublimes.
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Deixa teus seios serem as colinas
de que te olho e me fascinas.
Deixa teu corpo ser meu abrigo
nas noites em que só ando perdido
.
António Santos
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Por entre minhas entranhas

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Por entre minhas entranhas o desejo acorda,
percorrendo minhas veias numa luminescência tímida,
que aos poucos vai se tornando ofuscante,
palpitante e louca no meu peito jovem.
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A razão, já fraca, fica parecendo nada,
frente ao desejo, forte - e efêmero.
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Com o tempo, ele enfraquece e morre,
para retornar outro dia, igualmente tenro.
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Mônica Cardoso Manique
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Paixão

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Paixão
alisa a pele,
rasga a carne,
expõe o nervo...
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Rosane Coelho de Oliveira
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O amor vai além

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Se não vos vejo
Vos sinto por toda parte...
Não são os olhos que vêem
Nem o sentido que sente.
O amor é que vai além
E em tudo vos faz presente.
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Hilda Hilst

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domingo, 6 de setembro de 2009

Hei-de levar-te no meu sangue

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Tira-me a luz dos olhos: continuarei a ver-te...
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te...
E embora sem pés caminharei para ti...
E já sem boca poderei ainda convocar-te.
Arranca-me os braços: continuarei abraçando-te
com o meu coração como com a mão...
Arranca-me o coração: ficará o cérebro,
E se o cérebro me incendiares também por fim,
Hei-de então levar-te no meu sangue.
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Rainer Maria Rilke
in Cartas a um Jovem Poeta

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sábado, 5 de setembro de 2009

Amante

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Quando o meu amante se deitou a meu lado
por si só se desprendeu o meu cinto
e mal suspenso da cintura
o vestido deslizou-me pelos quadris
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É a única coisa que sei
pois mal senti o contacto do seu corpo
de tudo me esqueci:
de quem era ele
de quem era eu
de como foi o nosso prazer.
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Amaru, Índia
Século VII

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Esboço

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Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros...
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforecentes carícias...
e o corpo do silêncio estremecia, chocalhava,
com os guizos do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca...
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos...
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Gilka Machado
in Sublimação, 1928


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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Exílio

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O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?
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Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?
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Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?
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Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?
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O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?...
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Affonso Romano de Sant'Anna

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O mundo em um segundo

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Eu sou aquela
que povoa um segundo
de teu mundo.
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Eu quero ser aquela
que seja um mundo inteiro
em teu segundo.
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- Entre o ser e o querer-
o abismo intransponível
de nós dois...
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Maria Dinorah

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Palco

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Olho nossa cama.
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Palco vazio sem o drama,
sem a comédia,
Do nosso amor....
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J.G. de Araujo Jorge

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