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sábado, 21 de janeiro de 2012

Líquido




Teu beijo é tanto
é tamanho
que nele me dispo,
me banho,
me adoço.
Deixo no pescoço
uma gota ativa
pra te manter molhado
enquanto posso.
Essa umidade me conserva viva.

Flora Figueiredo


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Grafite

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Não seremos marido e mulher,
nem mesmo amantes.
Que tal apenas namorados intermitentes,
docemente nos amando, intinerantes?
Trocaremos afagos, quando o dia adormecer,
na encruzilhada;
deixarei em você meus cheiros de mulher.
Lançaremos olhares disfarçados,
que certamente passarão despercebidos,
pois namorados são de Deus os protegidos.
Quando nossas mãos roçarem-se furtivas,
vão insinuar desejos abafados,
pelas regras da vida censurados,
mas que sãos flores no canteiro, sempre - vivas.
Ao nos encontrarmos pela tarde rua acima,
lá onde a mangueira domina a rotatória,
assinarei um verso sublimado
a grafitar nossa parede divisória.

Flora Figueiredo

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Nó

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Estou perdidamente emaranhada em seus fios de delícias e doçuras.
Já não encontro o começo da meada,
não sei nem mesmo se há uma ponta de saída, ou
se a loucura vai num ritmo crescente até subjugar a minha vida.
Não importa.
Quero seus nós de seda cada vez mais cegos e apertados
a me costurar nas malhas e nos pêlos.
Enquanto você me amarra, permanece atado
na própria trama redonda do novelo.

Flora Figueiredo

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