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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Ficas dentro de mim

  


Ficas dentro de mim, como se fosse
eterno o movimento do teu corpo,
e na carne rasgada ainda pudesse
a noite escura iluminar-te o rosto.

No teu suor é que adivinho o rastro
das palavras de amor que não dissestes,
e no teu dorso nu escrevo o verso
em pura solidão acontecido.

Transformo-me nas coisas que tocastes,
crescem-me seios com que te alimente
o coração demente e mal fingido;

depois serei a forma que deixastes
gravada a lume com sabor a cio
na carícia de um gesto fugidio.
 

Antonio Franco Alexandre 



terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Fica dentro de mim


 

Fica dentro de mim, como se fosse
eterno o movimento do teu corpo,
e na carne rasgada ainda pudesse
a noite escura iluminar-te o rosto.

No teu suor é que adivinho o rastro
das palavras de amor que não disseste,
e no teu dorso nu escrevo o verso
em pura solidão acontecido.

Transformo-me nas coisas que tocaste,
crescem-me seios com que te alimente
o coração demente e mal fingido;

depois serei a forma que deixaste
gravada a lume com sabor a cio
na carícia de um gesto fugidio.

António Franco Alexandre



 

domingo, 5 de maio de 2019



Fica dentro de mim, como se fosse
eterno o movimento do teu corpo,
e na carne rasgada ainda pudesse
a noite escura iluminar-te o rosto.
No teu suor é que adivinho o rastro
das palavras de amor que não disseste,
e no teu dorso nu escrevo o verso
em pura solidão acontecido.
Transformo-me nas coisas que tocaste,
crescem-me seios com que te alimente
o coração demente e mal fingido;
depois serei a forma que deixaste
gravada a lume com sabor a cio
na carícia de um gesto fugidio.

António Franco Alexandre
in Duende


domingo, 27 de junho de 2010

Anúncio obsceno

.
.
Vou pôr anúncio obsceno no diário
pedindo carne fresca pouco atlética
e nobres sentimentos de paixão.
Desejo um ser, como dizer, humano
que por acaso me descubra a boca
e tenha como eu fendidos cascos
bífida língua azul e insolentes
maneiras de cantar dentro da água.
Vou querer que me ame e abandone
com igual e serena concisão
e faça do encontro relatório
ou poema que conste do sumário
nas escolas ali além das pontes
E espero ao telefone que me digam
se sou feliz, real, ou simplesmente
uma espuma de cinza em muitas mãos.

António Franco Alexandre

.

sábado, 7 de novembro de 2009

Junto de ti

.
.
Venho dormir junto de ti
e o meu corpo é uma coisa diferente
do que se vê ou toca ou sente;
é, fora de mim, essa coluna de ar onde respiro,
olhos que beijam o teu corpo exacto,
as muitas mãos que dobram o teu rosto.
Um deus que dorme,
um deus que dança, e mais
que um mero deus,
o breve amor do tempo.
.
António Franco Alexandre
.

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