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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Gosto

 



Gosto
do arrepio da tua língua na minha nuca,
gosto
que me digas quero mais
quando creio já te ter dado tudo.

Inês Pedrosa

 

 


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Diz-me que me amas

 


Diz-me que me amas, diz só uma vez.
Mesmo que seja mentira, diz-me.
Só para eu guardar o som da tua voz a dizer essa palavra.

Inês Pedrosa




 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018




Diz-me que me amas, diz só uma vez.
Mesmo que seja mentira, diz-me.
Só para eu guardar o som da tua voz a dizer essa palavra.

Inês Pedrosa

sexta-feira, 24 de junho de 2016



Não há memória mais terrível do que a da pele;
a cabeça pensa que esquece, o coração sente que passou,
e a pele arde, invulnerável ao tempo.


Inês Pedrosa

sábado, 9 de janeiro de 2010

Cumplicidades

.
.
Tão efémeras,
as cumplicidades radiosas.
Encontros de pele, de ideias, de atmosferas,
flutuando como nuvens
para o paraíso do esquecimento.
Acreditava que o sentido da minha vida
estava nesses encontros, e confronto-me agora
com a falta que tu me fazes.
Tu roubas-me o sentido, viciei-me nesse roubo,
talvez seja ainda um vício do sentido, o supremo.
Nós nunca fomos cúmplices,
sabíamos demais um do outro...

Inês Pedrosa
in Fazes-me falta

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

.
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Fechas a porta
e começas a beijar-me...
...
primeiros os olhos,
depois o lóbulo da orelha,
depois o pescoço,
enquanto os teus dedos me abrem a camisa
e me procuram os seios.
.
Beijamo-nos de olhos abertos,
como sempre,
e é de olhos abertos que procuro
cada uma das novidades do teu corpo.
.
Entramos um no outro de olhos abertos,
como se mergulhássemos
num mar de silêncio e fogo escuro...
.
Inês Pedrosa

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sábado, 14 de novembro de 2009

Todas as noites

.
.
Todas as noites me acaricio
com os teus dedos,
fecho os olhos e sugo os teus dedos
sob o contorno dos meus
e conduzo-te pelo meu corpo
como tu me conduzias.
.
Todas as noites
tu entras em mim por todas as portas,
a tua língua silenciosa
desperta vertigens desconhecidas
nas partes secretas das minhas orelhas
e dos meus pés.
(…)
Todas as noites
os teus dentes mordem
o meu pescoço
no sitio exato em que o meu corpo
guardava a última fechadura,
.
Todas as noites
volto a subir a esse monte
dos vendavais só nosso.
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Inês Pedrosa

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fulgor

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Posso ter inventado tudo, menos o fulgor perfeito
dos nossos corpos juntos.
Uma vida inteira não basta para apagar da pele
o peso magnífico desse fulgor.
.
Só sexo, disseram-me as amigas íntimas,
quando eu chorava com elas a saudade do êxtase.
Só sexo, fogo e palha, talvez tenham razão.
.
Mas é disso que trata a vida, a minha vida: só sexo.
Contigo.
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Inês Pedrosa
in Contos "Só Sexo"

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