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sábado, 9 de novembro de 2024

Gosto de sentir sua voz

 




Gosto de sentir sua voz
Penetrando em meu universo de silêncio
Nestes dias cinzentos
Em que nem eu me pertenço.

Seu jeito lúcido e sereno
De desvendar meus caminhos
E percorrê-los sem se perder,
Me torna mais e mais
Vulnerável às suas palavras.

Não entendo de que forma nasce
E qual força rege
Esta minha carência de você;
Esta precisão incessante
Que renasce das cinzas
Cada vez mais falta;
Cada vez mais você
Em mim;
Cada vez mais carne
E alma.


©Anderson Christofoletti





segunda-feira, 14 de março de 2022

Dentro de ti

 


Escreverei
- Em vermelho -
A palavra Éden
Em teu ventre,
Criando, assim,
Meu paraíso
Dentro de ti.

Anderson Christofoletti

 

 



domingo, 6 de março de 2022

Há algo de sagrado

 

 

Há algo de sagrado sobre a superfície do teu corpo que me fascina,
Mas é o profano - regente ávido de tuas linhas e ânsias -
que, ao aflorar de teu cerne, reinventa meu conceito de pecado.
Meu corpo já aprendeu a professar os dogmas de teu corpo;
Aprendeu a cultuá-lo como fonte de luz e escuridão.
 

Anderson Christofoletti 

 

 


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Última nuance: arsenal de cores

 


Amálgama
De vorazes volúpias
Onde apenas predadores
Flertam com a possibilidade
Do precipício:
O voo e
A queda.
Não há dor.

O branco arfar do tempo
Habita os espaços
Vazios (ainda tépidos)
Por entre relevos
Recém-abandonados.

A atmosfera ainda pulsa.

As almas amputadas
Estão alheias à morte.

Tudo é cor,
Sentido
E silêncio.
 

Anderson Christofoletti

 

 

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Quinta nuance: a fome dos corpos

 



Furor de caninos
Sobre a carne:
Tua seiva
Ainda escorre
Em minha boca.

Serpear lânguido
De músculos:
Tua carne em convulsão 

Ainda luta contra a minha carne.

 

Anderson Christofoletti

 

 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Quarta nuance: tormenta

 

 
Não quero a paz que me roubaste,
Quero tua alma em minha alma
Em comunhão de gozo;
Quero o desespero da falta
Incendiado pelo ardor da presença
Sob a visceral
Face do desejo .

Quero-te.

 

Anderson Christofoletti

 

 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Terceira nuance: som e ausência

 

 

 

Toco as superfícies
Abandonadas pelo teu corpo
Por sobre a cama e

Teus escritos me ardem.

O gosto de teu sexo
E o calor úmido de tua boca
Ainda estão em mim
E por mais que negue
A persistência da fome,
O instinto dilacera
Quaisquer intenções
De fuga.

Anderson Christofoletti

 

 

 


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Segunda nuance: luz e sombra

 


 
Da janela a luz esguia
Escorre por sobre as sombras
Deixadas pela noite.
Vestígios de tua carne nua
Habitam o acervo de minhas retinas.

Teu cheiro ainda escreve
Palavras cálidas
Em meu corpo.

Construções ignoradas
Pelos corpos,
As horas não
Servirão de testemunhas;
Nem delas
Poderemos extrair
O que nos faltará
Na esférica
Incompletude
Do desejo. 

Anderson Christofoletti



terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Primeira nuance : Breve relato de labaredas

 


Rosa de fogo
Entre a pétala
E os lábios da ferida
Aberta,
Lasciva,
Cálida,
Minha mão te desvenda;
Meu corpo te penetra;
Minha palavra te atravessa. 

Anderson Christofoletti

 

 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Rosa vermelha

 

 

Que eu, tal qual seiva de tua vida,
Invada teu pulsar atônito,
Teu florescer sublime e harmônico
E teu segredo sem guarida.

E teu segredo sem guarida
Percorra por tua viva pétala
Sentindo em meus lábios tua tez
E a timidez que o arrebol sela.

Que eu, incorporando tua centelha,
Escorra em ti feito ígneo orvalho.

Serei eu, então, teu poeta corsário;
Minha serás rosa vermelha.

Anderson Christofoletti

 

 



sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Breve relato de labaredas

 

Opções para esta história
Primeira nuance :
Breve relato de labaredas

Rosa de fogo
Entre a pétala
E os lábios da ferida
Aberta,
Lasciva,
Cálida,
Minha mão te desvenda;
Meu corpo te penetra;
Minha palavra te atravessa.

Segunda nuance:
Luz e sombra

Da janela a luz esguia
Escorre por sobre as sombras
Deixadas pela noite.
Vestígios de tua carne nua
Habitam o acervo de minhas retinas.

Teu cheiro ainda escreve
Palavras cálidas
Em meu corpo.

Construções ignoradas
Pelos corpos,
As horas não
Servirão de testemunhas;
Nem delas
Poderemos extrair
O que nos faltará
Na esférica
Incompletude
Do desejo.

Terceira nuance:
Som e ausência

Toco as superfícies
Abandonadas pelo teu corpo
Por sobre a cama e
Teus escritos me ardem.

O gosto de teu sexo
E o calor úmido de tua boca
Ainda estão em mim
E por mais que negue
A persistência da fome,
O instinto dilacera
Quaisquer intenções
De fuga .

Quarta nuance:
Tormenta

Não quero a paz que me roubaste,
Quero tua alma em minha alma
Em comunhão de gozo;
Quero o desespero da falta
Incendiado pelo ardor da presença
Sob a visceral
Face do desejo .

Quero-te.

Quinta nuance:
A fome dos corpos

Furor de caninos
Sobre a carne:
Tua seiva
Ainda escorre
Em minha boca.

Serpear lânguido
De músculos:
Tua carne em convulsão
Ainda luta contra a minha carne.

Última nuance:
Arsenal de cores

Amálgama
De vorazes volúpias
Onde apenas predadores
Flertam com a possibilidade
Do precipício:
O voo e
A queda.
Não há dor.

O branco arfar do tempo
Habita os espaços
Vazios (ainda tépidos)
Por entre relevos
Recém-abandonados.

A atmosfera ainda pulsa.

As almas amputadas
Estão alheias à morte.

Tudo é cor,
Sentido
E silêncio.

Anderson Christofoletti




 

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