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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Baladas das onze e meia

 




São onze e meia da noite
e eu quero ficar contigo
entre lençóis de algodão:
Fincar no flanco uma espora
cavalgar por meia hora
dar rédeas ao coração.

Joaquim Pessoa

- excerto -






domingo, 25 de dezembro de 2022

A tua boca

 

A tua boca. A tua boca.
Oh, também a tua boca.
Um túnel para a minha noite.
Um poço para a minha sede.

Os fios dormentes de água
que a tua língua solta num grito cor-de-rosa
e a minha língua sorve e canta
e os meus dentes mordem derramando a seiva
da tua primavera sem palavras
o poema inquieto e livre que a tua boca oferece
à minha boca.

As loucas bebedeiras de ternura
por essa viagem até ao sangue.
Os beijos como fogueiras.
As línguas como rosas.

Oh, a tua boca para a minha boca.
 

Joaquim Pessoa

sábado, 29 de janeiro de 2022

Bastava-nos amar

 


Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?

O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.

Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.

E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.
Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.
 

Joaquim Pessoa

 

 

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Vem. Vamos arder nos braços um do outro

 

Uma fogueira é sempre uma celebração entre o ar e outra matéria.
Vem. Vamos arder nos braços um do outro. Depois, as cinzas
hão-de espalhar-se pela memória desta noite.

Joaquim Pessoa




quarta-feira, 6 de maio de 2020

E por ti ardo




Adiei-me por ti. E por ti ardo
como o velho anjo que pegou o fogo
aos quatro pontos cardeais.

Joaquim Pessoa




 

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Vamos arder nos braços um do outro


 

Uma fogueira é sempre uma celebração entre o ar e outra matéria.
Vem. Vamos arder nos braços um do outro. Depois, as cinzas
hão-de espalhar-se pela memória desta noite.

Joaquim Pessoa
in Ano Comum







Tudo é paixão

 

Assim me perguntaste,
assim te respondi:
tudo é paixão.

Como não lamber
da tua pele, o mel
que o desejo fabrica?

E como a minha boca
não recolher o néctar
da tua boca?

Ou como não sorver
das tuas mãos o pólen
da ternura?

E se, em vez de paixão,
for sexo apenas,
ou loucura?

Pode até não ser amor.
Mas, seja o que for,
não é pior.

Joaquim Pessoa
in “Ano Comum”





sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo




 Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.

Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.

Joaquim Pessoa




sábado, 20 de abril de 2019



Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
Nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.

Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.

Joaquim Pessoa


segunda-feira, 18 de março de 2019




Quando me deito contigo
respiro apenas pela pele.

E digo-te tudo
sem uma única palavra.

Joaquim Pessoa





quarta-feira, 7 de novembro de 2018




Assim me perguntaste,
assim te respondi:
tudo é paixão.

Como não lamber
da tua pele, o mel
que o desejo fabrica?

E como a minha boca
não recolher o néctar
da tua boca?

Ou como não sorver
das tuas mãos o pólen
da ternura?

E se, em vez de paixão,
for sexo apenas,
ou loucura?

Pode até não ser amor.
Mas, seja o que for,
não é pior.

Joaquim Pessoa
in “Ano Comum”



Quando me deito contigo
respiro apenas pela pele.

E digo-te tudo
sem uma única palavra.

Joaquim Pessoa

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Poema Quinquagésimo Sétimo



Escrevo-me como se fosse
um poema, para dizer quanto te amo.
E levo, num beijo, essas palavras até à tua boca,
ofereço-tas, ansiosas e úmidas, com a mais doce
impaciência. Sorves na tua boca a minha língua
que canta todo o amor, que dá recados vibrantes
à tua carne, e faz do tamanho da noite as tuas pupilas.
Pergunto-me porque cantas e porque canto
quando a minha boca e a tua boca são uma boca
apenas, um corpo apenas, um longo poema
com uma só palavra.

Joaquim Pessoa
em "Guardar o Fogo"


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu quero apenas amar-te lentamente



Eu quero apenas amar-te lentamente

Como se todo o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo.

Joaquim Pessoa


sábado, 9 de abril de 2011

Tempo de espera



De esperas construímos o amor intenso e súbito
que encheu as tuas mãos de sol e a tua boca de beijos.
Em estranhos desencontros nos amamos.
Havia o rio mas sempre ficávamos na margem.
Eu tocava o teu peito e os teus olhos e, nas minhas mãos,
a tarde projectava as suas grandes sombras
enquanto as gaivotas disputavam sobre a água
talvez um peixe inquieto, algo que nunca pudemos ver.
As nossas bocas procuravam-se sempre, ávidas e macias
E por muito tempo permaneciam assim, unidas,
Machucando-se, torturando as nossas línguas quase enlouquecidas.
Depois olhávamo-nos nos olhos
No mais profundo silêncio. E, sem palavras,
Partíamos com as mãos docemente amarradas
e os corações estoirando uma alegria breve
Quando a noite descia apaixonada
Como o longo beijo da nossa despedida.

Joaquim Pessoa

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Estou mais perto de ti



Estou mais perto de ti porque te amo.
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderei escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.

Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo...

Joaquim Pessoa

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quero apenas amar-te



Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
Nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.

Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.

Joaquim Pessoa


sábado, 19 de dezembro de 2009

Porque te amo

.
.
Estou mais perto de ti porque te amo.
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderei escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.

Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo.

Joaquim Pessoa

.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Eu sei, não te conheço, mas existes ...

.
.
Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
Não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
.
É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável,
uma outra maneira de habitares
em todas as palavras do meu canto...
.
Joaquim Pessoa

.

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