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domingo, 20 de junho de 2010

Corpo adentro

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Teu corpo é canoa
em que desço
vida abaixo
morte acima
procurando o naufrágio
me entregando à deriva.

Teu corpo é casulo
de infinitas sedas
onde fio
me afio e enfio
invasor recebido
com licores.

Teu corpo é pele
exata para o meu
pena de garça
brilho de romã
aurora boreal
do longo inverno.

Marina Colasanti

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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Frutos e Flores

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Meu amado me diz
que sou como maçã
cortada ao meio.

As sementes eu tenho
é bem verdade.

E a simetria das curvas
Tive um certo rubor
na pele lisa
que não sei
se ainda tenho.

Mas se em abril floresce
a macieira
eu maçã feita
e pra lá de madura
ainda me desdobro
em brancas flores
cada vez que sua faca
me traspassa.


Marina Colasanti

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