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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Quem me quiser

 

 

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente

- Ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
 

Rosa Lobato de Faria 

 

 

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Beijo a beijo

 

E de novo armadilha dos abraços
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada das carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e de silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato de Faria

 

 

segunda-feira, 9 de março de 2020

O teu amor absoluto

 

O teu amor absoluto
é como a hera que envolve as paredes da casa.
Quero ser a casa
e que arranhes a cal da minha pele
e te aninhes nos meus ouvidos fendas
e perturbes a porta minha boca.
E por fim
procures o perigo das janelas
e enfrentes os meus olhos
infinitos de mágoa
noite e assombração.
 
Rosa Lobato Faria 



 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Armadilha dos abraços



E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias,
o rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.

As preces, os segredos as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.

Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.

E fazemos de novo, sempre de novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato Faria


sábado, 27 de março de 2010

Sempre assim

.
.
Os teus dedos escorrendo como leite
como mel como chuva como sumo...

...que sede que silêncio que sonata
que saudade de sermos sempre assim...

Rosa Lobato Faria

.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Vem o Senhor

.
.
(...)
Outras vezes fazes-me rodar
e cavalgas em mim, cavalgas ainda,
tentando talvez chegar àquele lugar
no infinito onde a tua montada
jamais poderá conduzir-te,
por mais que rasgues florestas e desbraves caminhos.

Porque eu sou o caminho.
O caminho secreto
que leva às fontes do prazer,
aos lugares míticos,
aos mares enfeitiçados.

Eu sou a floresta.
A floresta de recantos secretos,
de grutas azuis, de pássaros exóticos.

Eu sou o teu destino e a tua viagem.
A tua amante, a tua égua, o teu amor.

Rosa Lobato de Faria
in "Vem o Senhor"

.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Em ondas

.
.
Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé - o meu - sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.
.
É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia de tão leve.
.
O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
Ímpeto que não ache um abandono.
.
Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
somos a maré alta de quem ama.
.
Por fim o sono calmo que não é
senão ternura, intimidade, enleio:
o meu pé descansando no teu pé,
a tua mão dormindo no meu seio.
.
Rosa Lobato Faria
.

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