O chão é cama para o amor urgente, amor que não espera ir para a cama. Sobre tapete ou duro piso, a gente compõe de corpo e corpo a úmida trama. E para repousar do amor, vamos à cama.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 14 de junho de 2016
Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo — é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fonte?
Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo — é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fonte?
Queria ter coragem,
Para falar deste segredo,
Queria poder declarar ao mundo,
Este amor!
Não me falta vontade,
Não me falta desejo,
Você é minha vontade.
Meu maior desejo...
Queria poder gritar,
Esta loucura saudável,
Que é estar em teus braços,
Perdido pelos teus beijos,
Sentindo-me louco de desejo.
Queria recitar versos,
Cantar aos quatros ventos,
As palavras que brotam,
Você é a inspiração.
Minha motivação.
Queria falar dos sonhos,
Dizer os meus secretos desejos,
Que é largar tudo,
Para viver com você,
Este inconfesso desejo!
. . Que pode uma criatura senão, entre outras criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? . Carlos Drummond de Andrade