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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

A língua sobre a pele o arrepio

 

A língua sobre a pele o arrepio
Os teus dedos nas escadas do meu corpo

As lâminas do amor o fogo a espuma
A transbordar de ti na tua fuga

A palavra mordida entre os lençóis
As cinzas de outro lume à cabeceira

Da mesma esquina sempre o mesmo olhar:
Nada do que era teu vou devolver.

Alice Vieira
in Dois corpos tombando na água








sábado, 20 de abril de 2019




a língua sobre a pele o arrepio
os teus dedos nas escadas do meu corpo

as lâminas do amor o fogo a espuma
a transbordar de ti na tua fuga

a palavra mordida entre os lençóis
as cinzas de outro lume à cabeceira

da mesma esquina sempre o mesmo olhar:
nada do que era teu vou devolver.

Alice Vieira


domingo, 16 de janeiro de 2011

O que era teu



Língua sobre a pele o arrepio
os teus dedos nas escadas do meu corpo

As lâminas do amor o fogo a espuma
a transbordar de ti na tua fuga

A palavra mordida entre lençóis
as cinzas de outro lume à cabeceira

Da mesma esquina sempre o mesmo olhar:
nada do que era teu vou devolver

Alice Vieira


domingo, 31 de outubro de 2010

Adeus



...e foi por isso
que nessas noites morri muitas vezes
enquanto
as secretas palavras de adeus alastravam
pela foz do teu desejo

e a minha pele se despia
vagarosamente da tua

Alice Vieira


terça-feira, 6 de julho de 2010

Adormecida no teu peito

.
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Guarda-me
adormecida para sempre no teu peito

ou deixa-me voar uma vez mais sobre
esta terra de ninguém onde morro
por qualquer coisa que me fale de ti

há noites assim em que o silêncio
se transforma ao de leve numa lâmina
que minuciosamente rasga o linho
onde ficou esquecido o corpo que habitámos
em provisórias madrugadas felizes

depois é só abrir os braços e acreditar
que ainda faltam muitas horas para a partida
e que à-toa pelos corredores ainda escorre
uma razão primeira a trazer-me de volta

e eu adormecida para sempre
no teu peito

e eu acorrentada para sempre
no teu peito

e de novo entre nós aquele choro de quem
não teve tempo de preparar a despedida
com as palavras certas
porque as palavras certas estavam todas
em histórias erradas
que outros escreveram em lugares nublados
que nem vale a pena tentar recompor

muito ao longe uma voz desgarrada
estabelece o fim do verão

e eu adormecida para sempre
no teu peito

e eu acorrentada para sempre
no teu peito

Alice Vieira

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sábado, 29 de maio de 2010

Aquele que o meu coração ama

.
.
Aquele que o meu coração ama
ergueu-se do meu leito e nele esqueceu
as repetidas promessas de um regresso
em que aos meus olhos ensinaria
a única maneira de esconder
o prenúncio de invisíveis desertos

aquele que o meu coração ama
afogou em noites de leite e mel
o rasto dos oásis que
teciam a sede do desejo no meu peito
e bebeu neles as horas de um destino que
me acenava de muito longe

aquele que o meu coração ama
partiu às cegas sem descobrir
as húmidas palavras que se espalham
à sombra dos ciprestes
contando os minutos que faltam
para a vertigem do corpo onde o aguardo

Alice Vieira
in "O que dói às aves"

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