sábado, 6 de outubro de 2012

Encantamento




Contemplo em silêncio
teu corpo inerte
que o claro de lua
revela
na noite insone

nenhum galo cantor
nenhuma música vindo de longe
a quebrar o encanto dos meus olhos

só o silêncio
e o movimento
dos meus dedos
desenhando o mapa
do teu corpo

Ademir Antonio Bacca
in “Grito por dentro das palavras”


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Razões do Amor II




Gosto de ti
desesperadamente:
dos teus cabelos de tarde
onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso
onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrósias,
brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos
para as minhas alegrias;

de teu ventre - uma enseada
- porto sem cais e sem mar -
branca areia à espera da onda
que em vaivém vai se espraiar;
de teu quadris, instrumento
de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram
as brancas asas do sexo;

- do teu corpo só de alvuras
- das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos
de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem
que só de carícias tecem
esses desejos da gente...

Gosto de ti
desesperadamente;

gosto de ti, toda, inteira
nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde
aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos
em teus pequeninos pés)
- gosto de ti, feiticeira,
tal como tu és...

 J.G. de Araujo Jorge


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ternura




Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar                                                                      extático da aurora.

Vinícius de Moraes


quarta-feira, 3 de outubro de 2012



Me procure quando a sede
for maior que o medo
e a intenção,
maior que a dor...

Me procure através das palavras:
- sou suscetível, mas guardo segredo...
vivo na expectativa da flor.

Me procure sem hora marcada,
não devo satisfações à ninguém.
Sou meio bicho do mato, s
ó não suporto desdém...

Me procure quando a noite for longa,
quem sabe um carinho seja bem vindo...
mas não se iluda,
depois da manhã,
estou quase sempre partindo.

Angela Lara


terça-feira, 2 de outubro de 2012




Te provocarei
usando apenas gotas de perfume
e um colar de pérolas!
aguçarei tua libido
desfilando meu corpo ante teus olhos
quero roçar meus lábios na tua nuca
sussurrar palavras provocantes
em em teu ouvido
encostarei em tuas costas
deixando que sintas meus mamilos tesos
minha língua contornando teu pescoço
minhas mãos acariciando teu corpo
minhas coxas roçando nas tuas
te provocarei
porque te quero muito...muito meu!

Glo Ribolli


segunda-feira, 1 de outubro de 2012




Prendi o desejo entre as coxas
Retive a vontade de te dar
De te mostrar
O segredo/desejo
Que entre as coxas guardei.
Esperei as tuas mãos
E deixei jorrar o desejo
E mostrei-te o segredo
Que entre as coxas guardava.
Agora são tuas as marcas,
No cheiro que nas tuas mãos ficou
No sabor que a tua boca guardou,
De um secreto desejo
Antes retido
Entre as minhas coxas fechadas.

Encandescente


domingo, 30 de setembro de 2012

Melodia




Dedos,
Pés,
Mãos
Não podem ser mentira.

- Porque o teu corpo
É harpa que respira...

Pedro Homem de Melo


sábado, 29 de setembro de 2012





Acabadas as palavras
arrumaremos os gestos e os corpos

vem
espantar-me os fantasmas,
encher-me as noites
no cais de setembro
seremos barcos à espera de outros ventos

com o fogo ateado às velas
e esta (mesma) vontade de nos deixarmos arder

Carlos Alberto de Sousa Fernandes


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Flor




Eu que me vi flor,
a certo tempo virei jardim
em cada suspiro, me abri em pétalas.
Quando me vi, já era jasmim.

Sou toda jardim.

Betânia Uchoa

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Homeopatia





Cobriste-me de nudez o
corpo nu quando tive frio
envolveste-me em
frieza quando fiquei cansada
serviste-te do meu sono.
Saciaste a minha fome
com fome mataste com
sede a minha sede.
Quando o telefone toca
e ninguém diz nada
és tu do outro lado.

Ulla Hahn

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A flor da pele





Fogo na pele,
Pele em flor!
Flor que fere,
Fogo de amor!

Flor da pele,
Pele em cor.
Pele a pele
É pleno ardor!

Flor impele
Dor de amor.
Dor que fere
A flor do amor!

Pele pede,
Aflora em flor.
Mela a pele,
Doce amor!

À flor da pele,
Trêmulo fervor!
À flor da pele,
Atração em furor!

Paixão elevada,
Rasgada em ardor!
Pele indomada,
Fervente de amor!

Marcos Woyames de Albuquerque


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Modo de amar





Amor como tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.


Amor como relâmpagos e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.

Amor como açudes sangrando
ou caudais tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama.

Astrid Cabral

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Andava a lua no céu





Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas

Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronze

Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho

Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.

Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.

Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar..

Olhei o céu!

Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.

Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento

Vinha longe a madrugada.

Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha.., até cair.

Antonio Botto

domingo, 23 de setembro de 2012





“Amei ao ponto da loucura;
mas o que é considerado loucura,
é para mim, a única maneira sensata de amar”

Francoise Sagan


sábado, 22 de setembro de 2012

Eu me perdi dentro de mim





Levaram-me a caminhos solitários
E os rumos que tracei ou escolhi
Trouxeram-me só vãos itinerários...

O amor que a vida inteira produzi
Apenas se perdeu, mas há uma pista;
Se o pouco que há de mim está em ti,
Não percas meu amor... me reconquista.

Luis Gilberto de Barros


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Cálida





Cálida,
a noite vem nos teus olhos
quando a lua se descobre
e a promessa dos teus beijos
me estremece.
As tuas mãos,
que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
viajam no sonho e nas palavras,
florescendo no corpo úmido que se agita no desejo.
Desvendo os sons sentidos no silêncio
e neles quebro meu olhar que se espraia no horizonte,
como nuvem em dia de chuva.
Embalo-me como estrela cadente
ritmada em suave toque,
onde te imagino
percorrendo-me, gota a gota,
sorvida calidamente no desejo dos
teus lábios sôfregos,
que circulam em cada pedaço da
[minha pele ... ]
És.
Sou.
Imaginação
e
Fim.

Otilia Martel 

domingo, 12 de fevereiro de 2012





Se é só a tua lembrança
que me visita
nas madrugadas insones
então, por que
o sabor dos teus lábios
na minha boca
todo amanhecer?

Ademir Antonio Bacca

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Insensatez





Eu navego
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.

Nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.

Ademir Antonio Bacca


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

À flor da pele





Vou deslizando meus dedos por essa estrada sedosa,
Em cada curva que passo, um odor, novas surpresas:
É tua pele macia, horizonte de belezas,
Delícias de minha vida, companheira, saborosa...

Em tua cútis, a boca rastejo, de sul a norte,
Provocando em cada pêlo um gostoso arrepio,
E sinto que te contorces como a gazela no cio,
E te envolvo, faminto, e te abraço bem forte...

Inexplicáveis momentos de ternura, de paixão,
De corpos embriagados, em transe de comoção,
Com gemidos e suspiros saltando à flor da pele...

E prossigo no caminho de mistérios tão infindos,
Amando teu ser completo, fitando teus olhos lindos,
Até que afinal, num beijo, meu prazer tua boca sele...


Piero Valmar


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

De nós em limite





Na luta da posse
meu corpo guerreiro
batalha no teu
Meus beijos em seta
percorrem a meta
atingem loucura
No espaço liberto
da minha procura
tu és o limite

Manuela Amaral





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