sexta-feira, 2 de julho de 2010

Deita-te ao meu lado

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Deita-te agora, a meu lado, sobre o feno,
deixa que o incenso perfume os celeiros
onde adormecemos.

Toca o meu rosto voltado para cima,
como se procurasse no céu as carruagens de
cedro e ouro,
nos caminhos onde me perdi.

Traz-me o cântaro das tuas fontes.
Dá-me de beber a sua água porque os meus
lábios ardem.
Tenho sede.

É verão, como sabes.
As cigarras eternizam a sua música de pianos
rudes,
as rãs destroem a serenidade do lago.

Nunca te levantes; não me voltes as costas.

José Agostinho Baptista

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3 comentários:

cristal de uma mulher disse...

Quanta sensatez existe neste verso,um delírio de palavras dentro de imagens singulares.

Me encantou

Beijos

Nath disse...

"Não me voltes as costas."

NUNCA.

Continue, estou acompanhando.

Beijos.

A.S. disse...

Sacia esses lábios
sedentos,
na seiva que escorre, incandescente...
com tua lingua de fogo
voraz e ardente!


Beijossss
AL

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