quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Amor amor amor amor


fotos-mulheres-Jan-Scholz-02

Se abrires os olhos ainda me vejo vestida de azulamor,
amor, amor, amor, amor, amor,
escrevo a palavra repetidamente até ser invisível
na distância do espelho em que me vejo, a distância de amar,
amor, amor, amor de te prender no olhar, no amor,
olhar o amor e amar, amar o gesto de amar,
amor, amor, amor, beber do corpo quente de desejo,
amor, amor, beber o amor, matar a sede de amor,
amor, amor dos que sentem calor e ainda estão vivos,
amor, amor...

E digo ai amor porque amor sem dor não é amor, amor.

Ana Saramago, aqui


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cama y mesa



Apenas empiezo a saborearte
y ya me entran ganas de comerte
mordisquear tus orejas despacio
lamer tu cuello lentamente,
prepararte un aderezo con mi aliento
mezclar tu saliva con mis dedos.

Apenas empiezo a intuirte
y ya me entran ganas de servirte
un manjar de caricias y de halagos
invitarte a degustar mi condimento
sazonar con mis manos tu cintura
hornear el deseo a fuego lento.

Apenas empiezo a tramar la receta
cuando te deslizas con cautela hacia la mesa
y con la exquisita canela de tu boca
dispones ante mí la escapada.

Argumentas que hay exceso de alimento
y que mantienes una dieta muy estricta
me dejas rebosantes las manos de especias
y un desfile se inicia de pucheros y cazuelas.

El orégano previsto en tu mejilla
la pimienta salpicada en tu mirada
la vainilla extendida por tu nuca
la menta en tu piel y la mostaza.

El comino, el limón, la hierbabuena
el romero en tu frente, en tus labios la salvia
el azafrán y el laurel en tus hombros
por tus dientes el anís, la alcaparra.

Uno a uno los ingredientes que aguardaban tu llegada
retroceden a su lugar de origen
y yo, apenas me dispongo a iniciar la retirada
congelo en la memoria el menú del deseo
por si alguna vez te apetece paladearme
y a mí me entran ganas de evocarte
y es que apenas empiezo a conocerte
y ya siento el impulso de adobarte.

Gloria Bosch


sábado, 5 de fevereiro de 2011

O livro da tua pele


 
 
Leio o amor no livro
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.

 
Nuno Júdice

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fuego




De sólo imaginarme que tu boca
pueda juntarse con la mía, siento
que una angustia secreta me sofoca,
y en ansias de ternura me atormento...

El alma se me vuelve toda oído;
el cuerpo se me torna todo llama
y se me agita de amores encendido,
mientras todo mi espíritu te llama.

Y después no comprendo, en la locura,
de este sueño de amor a que me entrego;
si es que corre en mis venas sangre pura,
o si en vez de la sangre corre fuego...

Alicia Larde de Venturino

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Teu beijo... o meu crime


What is Love?

Olhas nos olhos meus. E eu vejo neste instante
toda a terra subir a um céu que desconheço.
Olho nos olhos teus. E fica tão distante
o mundo: e todo o fel que ele contém, esqueço.

Sorris... e, contemplando o teu lindo semblante,
o ideal de minha vida, enfim, eu reconheço.
Falas... ouço-te a voz, e, impetuosa, radiante,
num gesto de ternura, os lábios te ofereço.

Beijas a minha boca. E neste beijo grande
- como uma flor que ao sol desabrocha e se espande -,
todo o meu ser palpita e freme e vibra e estua.

Tudo é um sonho, no entanto; o teu beijo... o meu crime.
Mentirosa ilusão! Pobre ilusão que exprime
somente o meu desejo imenso de ser tua!

Yde (Adelaide) Schloenbach Blumenschein


domingo, 30 de janeiro de 2011

Reacender



Toda alcova em penumbra. Em desalinho o leito,
onde, nus, o meu corpo e o teu corpo, estirados,
na fadiga que vem do gozo satisfeito,
descansam do prazer, felizes, irmanados.

Tendo a minha cabeça encostada ao teu peito,
e, acariciando os meus cabelos desmanchados,
és tão meu... sou tão tua. Ainda sob o efeito
da louca embriaguez dos momentos passados.

Porém, na tua carne insaciável, ardente,
o desejo reacende, estua... e, de repente,
dos meus seios em flor beijas a rósea ponta...

E se unem outra vez a lúbrica bacante
do meu ser e o teu sexo impávido, possante,
na comunhão sensual das delícias sem conta...

Yde (Adelaide) Schloenbach Blumenschein


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

É tarde...





A noite é o incendiar
da labareda oculta,
do desejo.
Tudo começa ao pôr-do-sol
na evidência das cores refletidas no céu.

Depois estende-se ao meu corpo
que espera o teu.

É tarde, meu amor.

Silvia Chueire


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Tua música



Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Eugénio de Andrade


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cortina



Peço-te que feches
a cortina
e à sua sombra já estremeço nua
Vens-me cobrir o frio
com o teu calor
e à nossa roda já tudo flutua

Maria Teresa Horta


sábado, 22 de janeiro de 2011

Procura



O que eu procuro em ti,
Ó amante maravilhosamente disponível,
É esquecer-me do que procuro,
E também de mim.

Vitor Oliveira Jorge


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ficar assim





A gente queria ficar apertado assim porque
nos completávamos desse jeito,
o corpo de um sendo a metade perdida
do corpo do outro.

Caio Fernando Abreu


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tua sombra



De tão longe me tocaste.

Ou foi a tua sombra
que dançou
na minha sombra?

Graça Pires


domingo, 16 de janeiro de 2011

O que era teu



Língua sobre a pele o arrepio
os teus dedos nas escadas do meu corpo

As lâminas do amor o fogo a espuma
a transbordar de ti na tua fuga

A palavra mordida entre lençóis
as cinzas de outro lume à cabeceira

Da mesma esquina sempre o mesmo olhar:
nada do que era teu vou devolver

Alice Vieira


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fogo e água



Aqui tens a minha sede:
fogo e água da tua boca
ardendo ...

Bernardete Costa, aqui


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Contemplação



Esgotadas as palavras
contemplo
te

e contemplar
não é olhar nem ver
te

é sentir-te bem por dentro

Mateo, aqui


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Morrer em ti


Hei de morrer em ti...
Num espanto feroz, feito de febre e fúria,
Feliz pelo que tive, amante enquanto dure...

Renata Pallottini


sábado, 8 de janeiro de 2011

Lembra de mim



Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...

Ivan Lins


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Olhar



O meu olhar demora no teu olhar .
o meu olhar é seu ,
O seu olhar demora no meu olhar
O teu olhar é meu.
O teu olhar se prende no meu olhar
O meu olhar devora o teu.

Erikah Azzevedo, aqui



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Mão


THE BEST PICS - Picture for Me

A mão que afaga, se afoga em sensação.
Nesse relevo revelado, carinho, caminho.
Relevada, a mão levada, leva e trás:
tato, teia, trama, tremor, tempero,
temperatura.

Ricardo Muniz de Ruiz


domingo, 2 de janeiro de 2011

A flor da pele


sensual-mulher-sexy-feminina

Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final…

Zeca Baleiro


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